lê ! não tapes os olhos!

domingo, 31 de janeiro de 2010

O ex Amor


Carrego coisas que me fazem lembrar-te. Não consigo deitar fora tudo o que um dia foi indescritível. As palavras fogem do meu pensamento, quando me reporto a tempos remotos, quando chego a ti. Tudo acabou isso eu sei, mas tudo ainda vive. Mudaste completamente o significado da palavra amor em mim. Reescreveste a tinta preta os traços do meu coração desalinhado, juntando as linhas soltas que se encontravam no nexo do vazio. Subjugaste o ódio a nada e elevaste o amor ao expoente máximo. Relativizaste o ciúme e deste-o como perdido no vale da armagura. Enfraqueceste a armadura, destruiste muralhas e deixaste-me assim. Assim á mercê de quem vem e nada quer, assim na terra dos indefesos, em terras da vulnerabilidade. Sobrevivi e sobrevivo. Cada dia que passa a muralha cresce e a armadura fortifica-se. Aos poucos e poucos vou chegar a mim, vou chegar á terra dos protegidos, às terras de nossa majestade. Até lá seguirei aquela estrela. Não me demovas, deixa-me apenas ir. Quero crescer sem adubos ou fertilizantes, quero ser natural, quero ser eu.

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