lê ! não tapes os olhos!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Dança dos ouvintes


A balada vem de rastos, tocou e não foi ouvida. Deitou.se no meu regaço e provou o veneno do meu corpo. Adormeceu com uma balada envenenada. Dança dormente que agita os corpos esgaziados de fome auditiva. Dá-me som para ouvir, não para o sentir.È o desencaixe perfeito. Onda contra onda, sopro por sopro fazem chegar a mim calamidades destemidas. Estanco as palavras no meu eu e faço-as percorrer caminhos até á minha memória. Segue-se o paradoxo da mente, “lembrar para esquecer”. Ouve a batida. Sente as palavras. O volume aumenta a intensidade, amplifica momentos tornando-os inesquecivelmente inesqueciveis apesar de se esquecerem. Será que nos lembramos apos a morte? Perguntas corruptas invadem as mentes. Perguntas disparadas sobre forma de dúvidas persistentes que insistem em ficar. Ninguém responde não por não saber, mas sim por não ouvir.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Iniciação construtiva


O inicio é a palavra perfeita para o começo. De todos os inícios prefiro aquele que começa, atravessa e crava. Crava tão fundo que simplesmente fica.Ao ficar contrói um ténue véu de sentimentos que ora nos enlouquece ou nos envelhece de tanta dor. É esta a experiência que marca, é esta a “vida”.

Pensamos sistematicamente no holocausto sentimental, no fim das nossas vidas, no acabar, que não conseguimos espremer o sumo do começo e apreciar saborosamente o desabrochar da nossa tenra vida.

Eu vivo vivendo, não sei se é certo ou perfeito mas é o antibiótico perfeito para mim, transmite e reflecte cura quando muitas vezes sou assaltada por doenças incuráveis (penso eu).