lê ! não tapes os olhos!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Das mais belas canções



You'll build a collection of scars on your knees
To learn how to count the impossible trees
You grew up by climbin' the birches so high
And that's why
You're so beautiful now.


~


This is as good as it gets.

domingo, 31 de janeiro de 2010

O ex Amor


Carrego coisas que me fazem lembrar-te. Não consigo deitar fora tudo o que um dia foi indescritível. As palavras fogem do meu pensamento, quando me reporto a tempos remotos, quando chego a ti. Tudo acabou isso eu sei, mas tudo ainda vive. Mudaste completamente o significado da palavra amor em mim. Reescreveste a tinta preta os traços do meu coração desalinhado, juntando as linhas soltas que se encontravam no nexo do vazio. Subjugaste o ódio a nada e elevaste o amor ao expoente máximo. Relativizaste o ciúme e deste-o como perdido no vale da armagura. Enfraqueceste a armadura, destruiste muralhas e deixaste-me assim. Assim á mercê de quem vem e nada quer, assim na terra dos indefesos, em terras da vulnerabilidade. Sobrevivi e sobrevivo. Cada dia que passa a muralha cresce e a armadura fortifica-se. Aos poucos e poucos vou chegar a mim, vou chegar á terra dos protegidos, às terras de nossa majestade. Até lá seguirei aquela estrela. Não me demovas, deixa-me apenas ir. Quero crescer sem adubos ou fertilizantes, quero ser natural, quero ser eu.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão



Memória, Carlos Drummond de Andrade

Clareira dos Sentidos


Meros selvagens sedentos de erros perdoáveis sentam-se numa clareira e desafiam o destino. Agarram punhados de terra seca e choram sobre ela, enxugam qualquer resto de mágoa. Gritam aos ventos amordaçando a dor que dói, a dor que destrói. Ciclones atordoam as suas mentes impedindo-os de sentir o outrora sentido. Ali, no meio do nada, só o vazio os acompanha. Procuram a vida quando não há nada, procuram a sede quando não há água. Só a morte persiste, só a morte existe. Cavam desenfreadamente para a fuga (pensam eles, pequenos inócuos) mas mais nada existe só terra seca e miragens. Ajoelham-se aos céus pedindo uma luz, mas nuvens perseguem-se loucamente fechando qualquer abertura entre elas. É o fim do nada, a morte vem o pano cai e eles vão.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Dança dos ouvintes


A balada vem de rastos, tocou e não foi ouvida. Deitou.se no meu regaço e provou o veneno do meu corpo. Adormeceu com uma balada envenenada. Dança dormente que agita os corpos esgaziados de fome auditiva. Dá-me som para ouvir, não para o sentir.È o desencaixe perfeito. Onda contra onda, sopro por sopro fazem chegar a mim calamidades destemidas. Estanco as palavras no meu eu e faço-as percorrer caminhos até á minha memória. Segue-se o paradoxo da mente, “lembrar para esquecer”. Ouve a batida. Sente as palavras. O volume aumenta a intensidade, amplifica momentos tornando-os inesquecivelmente inesqueciveis apesar de se esquecerem. Será que nos lembramos apos a morte? Perguntas corruptas invadem as mentes. Perguntas disparadas sobre forma de dúvidas persistentes que insistem em ficar. Ninguém responde não por não saber, mas sim por não ouvir.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Iniciação construtiva


O inicio é a palavra perfeita para o começo. De todos os inícios prefiro aquele que começa, atravessa e crava. Crava tão fundo que simplesmente fica.Ao ficar contrói um ténue véu de sentimentos que ora nos enlouquece ou nos envelhece de tanta dor. É esta a experiência que marca, é esta a “vida”.

Pensamos sistematicamente no holocausto sentimental, no fim das nossas vidas, no acabar, que não conseguimos espremer o sumo do começo e apreciar saborosamente o desabrochar da nossa tenra vida.

Eu vivo vivendo, não sei se é certo ou perfeito mas é o antibiótico perfeito para mim, transmite e reflecte cura quando muitas vezes sou assaltada por doenças incuráveis (penso eu).